sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Quarto do Bebê

O blog pessoal anuncia a gravidez. O extra, a primeira foto da barriga. O vídeo show acompanha a primeira compra para o enxoval. Domingo no Faustão, a nova mamãe chora no arquivo confidencial. No “Estrelas”, ela mostra o quarto do bebê. O babado publica que a famosa mamãe aguarda até o último momento o parto normal. E logo está em todos os jornais que o médico teve que fazer uma cesárea de emergência porque o cordão estava enrolado no pescoço ou porque estava passando da hora ou qualquer coisa assim.

Será que estes profissionais acham mesmo que todos engoliram este cordão?

Não podemos julgar as pessoas porque só elas sabem pelo que passaram. Não é justo julgá-las, mas é um exercício de reflexão e amadurecimento esmiuçar os fatos. E até ser objetivo concluindo “Isso não serve para mim”.

Muitas grávidas vêem o parto como algo muito distante, quase não pensam sobre o assunto durante a gravidez, senão lá pelas 32 semanas. E aí não leu o suficiente, não tem coragem de mudar de médico nesta altura do campeonato, não tem apoio familiar se quiser fazer diferente, além de toda responsabilização pela vida do bebê se seus planos para o parto “falharem”.

Ok, Dá para compreender achar que parto normal é fácil e qualquer médico irá “fazer”.

Mas então por que se pensar tão cedo, por exemplo, na decoração do quanto do bebê? Por quê pelo menos uma vez tem um casal grávido na Caras apresentando o quarto de seu bebê, sem uma frase sequer sobre a maneira como estas crianças serão recebidas nesse mundo, alimentadas, educadas, amadas...

Há também quem diga que não tem dinheiro para o parto quando gasta uns milhares de reais com decorador, mobília, enfeites. Mais tarde será com a “enfermeira” que dormirá no quartinho do bebê que afinal precisa ter independência....

Que uma coisa fique bem clara: o bebê não está nem aí para a cor do quarto. O bebê não se importa com os bichinhos. O bebê não necessita de berço e sequer de quarto. O bebê precisa de um nascimento digno, precisa de afago, de calor, de peito, de dedicação, de entrega. A babá não fará melhor do que a mãe, o médico não fará o parto melhor do que a mãe, e ninguém, por mais insegura que esta seja, terá mais carinho e importância para o bebê do que a mãe que Deus lhe deu.

Então nos preocupemos com o profundo e deixemos de lado o superficial.
Isto não é uma opinião pessoal. É só parar para refletir. Seu filho não liga para mais nada, além de você.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Com o Rei na Barriga!

Estar grávida é estar em estado de graça.

Claro que infelizmente nem todas verão desta forma, porque nem todas estão preparadas. Mas em essência, é um momento muito especial da vida de qualquer mulher.

Para algumas, o prazer de gerar traz beleza, luz, experiências indescritíveis, outros valores. Mas o que mais aflora são as coisas que não podemos palpar: instinto, sensibilidade, maturidade, amor incondicional, felicidade e sonho.

Só dá pra entender os sentimentos de uma mulher gestando, sendo uma delas. Querer que o mondo pare para sentir a barriga mexer (nada mais justo!); reaprender a fazer tricô ou admirar bebê de revista... Pensar em assuntos que não faziam sentido até agora, abrir mão, começar a levar tudo mais a sério... Coisas que ninguém mais entende. E só a maternidade pode fazer isto por nós.

Sortudos dos profissionais sensíveis que podem reviver estes momentos toda vez que uma cliente engravida!...


Nada pessoal!

O poder de trazer pessoas ao mundo, por muito tempo foi subjugado, mas hoje este poder começa a ser devolvido a quem (quer e) é de direito.

Os pingos voltam para os “is” e a humanidade tem a chance de evoluir.
A grávida é abençoada e mal tem noção do quão importante e gloriosa é.

Na relação mãe-filho está o segredo, principalmente nos primeiros instantes de vida, para a violência e para a “paz mundial”. Este período precisa ser vivido internamente. Há que se gostar de ser mãe. Não há porquê lamentar.

Filhos são muito mais do que meros perpetuadores de espécie e propagadores de genes. Filhos são a maior obra e oportunidade de crescimento de uma vida. E quem não amadurece nem assim, terá um longo caminho a percorrer...

Crianças têm o direito de mamarem em suas mães! Podem dormir onde se sentem mais seguras: com os pais! Devem nascer do esforço de suas mães e aparados por mãos delicadas e calmas. Precisam do conforto de um lar harmonioso, de uma gestação bela e de amor em abundância.

É por isso que os casais jamais deveriam se entristecer com a vinda de um filho. Os pais são os que mais ganham por trazerem ao mundo e cuidarem de seus bebês.

Por muito tempo, esta função social “gerar, parir, cuidar” foi desmerecida, mas não tem que ser assim.

Não tenha medo de mudar o mundo. Por algum lugar a mudança tem que começar. Que tal começar por você?

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Há 7 anos...

Esta noite fará 7 anos que entrei em trabalho de parto para fazer nascer meu bebê, agora já um rapaz de quase 7 anos...

Fico pensando em como esses últimos anos transformaram minha vida. De quantas matrix eu tive que sair para ser feliz. E de quantas mais terei que descobrir para ter a chance de me libertar...

A primeira importante matrix que saí foi a matrix obstétrica. Ao invés de ser levada pelas ondas da “normalidade” e do comodismo, procurei despertar e desejei profundamente vier o nascimento do meu bebê lúcida, integral, segura e romanticamente.
E eu jamais me arrependi.

Alias, acredito seriamente que aquele parto trouxe a este mundo não só meu amado filho, mas também a mulher plena que ansiava nascer em mim.

Aquela noite em que minhas primeiras contrações começaram não acontece com a maioria esmagadora do meu círculo de amigas. Sempre existe um “bom” motivo para marcar a cirurgia e se submeter à tecnologia desnecessariamente. As desculpas não variam muito, mas vão desde o medo da dor (?) ao cordão enrolado enforcando o bebê (imagine os milhões de bebês sendo enforcados pelos próprios cordões umbilicais que os nutriam). Na verdade, a desculpa pouco importa. Para uma grande parte das mulheres, ela vem em boa hora.

O Klauss me fez mãe, foi meu melhor amigo em momentos determinantes para minha vida. Me deu forças e me ensinou a tirar forças até de onde não tinha para nos dar o melhor caminho.

Há 4 anos, éramos só nós dois, todos os dias. Ele aprendendo a ser filho e eu aprendendo a ser mãe. Sozinhos, sem raízes, numa cidade estranha, numa casa enorme, onde parecíamos ainda mais isolados do mundo.

Há 7 anos sou mãe.
A semente plantada no meu ventre, se transformou no meu maior bem e me preparou para ser uma pessoa, uma esposa e uma mãe melhor. Aglaia que o diga!

Quero viver contigo, Kakau, toda uma eternidade. Foi uma honra ter sido escolhida para trazer o “salvador do mundo”. Sou orgulhosa pela pessoa que você está se tornando. E lembre-se sempre: A mamãe sempre estará com você. Dentro do seu coração”, mas não precisa chorar mais de alegria...

Parabéns a nós dois por termos nos saído tão bem nesta missão de conviver, meio a tanto amor...
Você... Tão pequeno e tão grande...

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Arrepender?

Às vezes me pergunto onde estaria se minha vida tivesse tomado outro rumo.
Se eu não tivesse me casado, ter permitido vir a vida através do meu corpo há quase 8 anos, depois me reunido com meu grande amor e gerado pela primeira vez uma mulher, quem então eu seria?

Minhas gravidezes não foram exatamente planejadas, mas também não foram evitadas. Eu não imaginava a dimensão, o significado da maternidade e da vida.

Ser mãe me trouxe muito mais do que o sacrifício que estou habituada a ouvir. Eu abri mão sim de muitas coisas, mas em troca recebi bênçãos jamais alcançadas dentro de minha limitada liberdade de outrora.

Não tenho tempo de fazer várias coisas que sonhei, meios para conhecer os lugares que desejei, viver os romances tórridos aos quais me acostumei. Tive que aprender que minha vida poderia ter sido outra sim, mas o universo me provou que melhor, não.

Realmente não vivo o conto de fadas que idealizei. Ao contrário, vivo estável a realidade de uma alma em crescimento, rumo á sabedoria e a perfeição.

Devo isso a três pessoas, mas em especial ao Klauss e a Aglaia que, com a desculpa de serem meus filhos, me ensinaram a ser mulher, a ver de outra forma, a desejar e construir um mundo melhor.

Hoje tenho orgulho de mim. Me sinto feliz com a vida que tenho e o trabalho que tenho a fazer. Eles transformaram aquele projeto de gente em uma ativista de causas realmente relevantes, em uma mulher que vai até o fim, na mãe que eu gostaria de ter.

Eu ensinei muito a eles, mas não chega nem aos pés do que eles ensinaram a mim.
E tudo o que eu posso fazer é me dedicar e ser grata pelo bem, pela felicidade que me trouxeram e em quem me ajudaram a ser.

Me arrepender de ser mãe? Me arrepender de amar tanto assim?
Por que eu faria uma coisa dessas?!

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Ciúme Entre Irmãos

Desde o belo dia em que os pais se descobrem grávidos pela segunda vez, estes se preocupam com os sentimentos do primogênito com a chegada da primeira pessoa igualmente amada pelos pais. O reinado deixa de ser absoluto para ser compartilhado.

Por este motivo (não magoar o mais velho), muitos pais preferem até ter apenas um filho e dar-lhe de tudo, sem jamais aprender a dividir e muitas vezes sem jamais escutar um “não”.

Ter irmãos é uma tarefa difícil e essencial. Pede-se muito materialmente, mas o ganho moral e espiritual é imensurável.
Fala-se tanto em ciúme que o ciúme acaba acontecendo.

Educo meus filhos, amo, trato como iguais dentro de suas diferenças. Ensino-lhes incansavelmente a se amarem e a se respeitarem. Jamais toquei na palavra ciúme. Eles não conhecerão o ciúme se não lhes apresentarmos.

Mesmo quando avós e amigos perguntarem sobre o assunto, não devemos aceitar esta hipótese. Acredito que o ciúme aconteça principalmente de tanto que falam. É quase uma cobrança. Mas percebi que isto não é natural. São as pessoas que criam. E criam porque foi assim com elas... E com os pais delas.
Não podemos continuar a reproduzir esta falha já tradicional em nossas vidas. É preciso para este ciclo.

Acredito que o segredo seja amar, apoiar, unir... Ter uma família sadia e próspera.
Não vai faltar nada. Nem luxo nem carinho. Venham quantos espiritinhos o universo mandar.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Crescendo.

Algumas etapas da vida são deliciosamente irônicas...
Tenho um casal de filhos. O primogênito com quase 7 anos e a caçula com pouco mais de 1 ano. Um aprendendo a ler, outro aprendendo a falar. E ambos aprendendo muito mais do que eu sobre a vida.

Seus dois discos rígidos cerebrais quase vazios sugam as informações a vácuo.

Apesar disso ser miraculoso, existem controvérsias...
Adultos criticam por criticar até o que é claro e certo. Suas mentes tagarelas precisam julgar e julgar. Mas eles não tem tempo para culpar ninguém, estão ocupado demais... aprendendo lindamente.

Ter filhos é como crescer de novo e poder ver isso de fora. Poder ver os erros, acertos... É poder aconselhar seu passado. Ter filhos é como uma segunda chance de ser criança mais uma vez.

As pessoas não entendem porquê eu quero ter muitos filhos. Num mundo egoísta, onde eu e os meus é tudo o que vale, minhas ideologias maternais não fazem o menor sentido. Como comprar as botas de couro da moda, tendo que pagar 3 escolas, ter o corolla do ano e ter o melhor plano de saúde ao mesmo tempo? E o pior.... Dizem que os filhos atrapalham a individualidade. Eu não me sinto menos eu por causa deles. Ao contrário. Me sinto muito mais eu. Parece que finalmente descobri quem sou depois que me tornei mãe.

Ser mãe, pra mim, não foi a realização de um sonho mal sonhado. Eu sequer sonhava com isso. Mas quando aconteceu foi tudo tão mágico... e descobri que nasci pra isso.

Eu quero ter trabalho com filho sim. Gosto de abrir mão por eles e até se em algum momento isso encher saco, eu vou ter a certeza de que, com eles, tudo é melhor.

Sou muito grata pela vida que tenho, mas o maior presente que tive, foi ter uma família, uma vida, tão perfeita.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

O Pior Pesadelo

O pior pesadelo que pode acontecer a uma mãe é a morte de um filho.
Mesmo compreendendo que a morte é só um “até breve” numa eternidade de reencontros, ver aquela cria a quem tanto cuidado era dado, a quem tanto amor era doado, desobedecendo a biologia, não tem como ser fácil.

Amar os filhos não é difícil. Até mesmo a dependência que eles têm de nós contribui para o aumento do convívio e naturalmente do amor, além dos hormônios e do instinto, já tão massacrados por nossa sociedade.

Acho lindo uma mãe poder largar tudo e cuidar dos filhos. Acredito que seja a maior prova de amor que possa ser dada e eu mesma queria ter o mínimo de condições de dar. E numa eventual perda, temos o conforto de termos passado com aquela pessoinha amada o maior tempo possível.
Mas nenhuma mãe é preparada para “perder”.

Quando eu engravidava, pedia ao universo que se fosse para me tirar um filho, que o fizesse durante a gestação. Sei que essa consciência transcendental sabe mais sobre o que preciso do que eu mesma, mas eu precisava pedir.

Tudo o que uma mãe faz pelo filho é compreensível, ainda que ilegal ou imoral. Nem sempre é justo, mas é sempre compreensível.

Acredito que num mundo onde não exista família, mas todos sejam irmãos, tais perdas seriam melhor aceitas. Numa sociedade amadurecida o suficiente para ser fraternal, não existe “meu” nem “seu”, mas nosso.
Amar é diferente de se apegar.
Tudo ao que nos apegamos, perdemos bruscamente.
Amar é compartilhar, é abrir mão, é deixar viver.
Senão é apego e apego é doença. Envelhece, prejudica, sufoca, maltrata. Impede o que é bom de se manifestar.

A melhor coisa que se pode fazer por um filho é dar apoio, dedicação e liberdade.
E para não sofrer por qualquer besteira, os pais devem estar seguros de que estão fazendo o melhor por eles.

Ter amamentado e parido meus filhos foram acontecimentos que me trouxeram muita segurança como mãe e mulher. Daí meu ativismo. Acredito que um mundo melhor é feito de crianças bem recebidas, alimentadas e confiantes, não simplesmente sobreviventes de cesáreas e partos traumáticos aleitados por leites em pó de outros animais. Sem entrar nos méritos dos porquês...

Hoje o que faço é me doar. Chego cansada, mas o tempinho para amá-los é sagrado.

Quando não se expressam por palavras, mostram seu carinho e gratidão através de seus abraços e olhares. Quando já falam, fazem as declarações mais românticas que já se ouviu. Palavras simples, limitadas e com um graaaande e verdadeiro sentimento.
Por essas e outras não estamos preparados ver um filho partir.
Para qualquer pessoa e criatura deste mundo, temos que dar nosso melhor. Viver intensamente, aproveitar ao máximo sua presença.

Todos os dias, encontramos pessoas e fazemos coisas pela última vez. Nada jamais se repete.
Vindo de um filho, todos os sentimentos são mais profundos, mas tudo tem um tempo. Nós somos provisórios e insubstituíveis. O segredo é valorizar os momentos, amar com entrega, trabalhar junto e viver.

E acima de tudo compreender que não existe pesadelo, não existe morte, existe tempo...